× arquivo indisponível
Desde que vi aquele arquivo na OMMET, me pego vagando para o nada. Ando por ai sem destino, meu rendimento caiu a níveis que eu não via desde que fui contratado com... Quantos anos eu tinha mesmo? Isso não importa, nada daquela época importa. O que eu quero dizer aqui é que estou perto da demissão, isso não pode acontecer. Prefiro morrer por conta própria. Estou indo atrás do RB-XIV, ou do que deve ter sobrado dele. Não encontrei nenhuma informação sobre ele nos arquivos físicos ou digitais, nem quando encontrei um glitch no arquivo que me deu acesso temporário aos arquivos sigilosos. É como se nunca tivesse existido por lá, mas o estranho é que algumas pessoas por lá se lembram de algo assim, desse nome. Elas não dizem isso, mas consigo ver algo nos olhos delas quando cito algo relacionado.
× Arquivo corrompido! Restaurando.
Não lembro como cheguei aqui, parece ser uma borda do universo, mas está tudo meio errado. As coisas não funcionam assim no espaço, não era pra ter chão, não era para o chão cair dessa borda como uma cachoeira e derreter em cores, não era para ter uma casa no fim do mundo, flutuando após a queda.
Flutuo em direção à casa. O tempo parece fluir mais devagar à medida que me aproximo, o ar é pesado; intuitivamente ativo as defesas atmosféricas do traje; tudo os próximos momentos se tornam um borrão, mas chego bem até a casa. Se você olhar de perto consegue perceber que a cor das paredes está, lenta e constantemente, mudando; por instinto paro de focar nas cores. As paredes estão, lenta e constantemente, contraindo e relaxando, uma brisa leve vai e vem; o chão range e craquela à cada passo que dou. A porta se abre como uma boca, dividida ao meio e convexa, se fechando com um cliente assim que entro. Nada existe dentro da casa.
"Mais um?" a voz vinha das paredes, parecia triste. Não me atrevi a mover nenhum músculo, a própria respiração lutava contra minha inércia. "Não precisava ser assim, sabe." Ele semicerra os olhos, uma expressão semelhante a dor, e eu sinto a adrenalina inundar minhas veias.
"O que você fez comigo?" minha voz rompe a tensão do ar. Silêncio.
"Eu não fiz nada. Por que você acha isso?" a distância entre nós diminuiu, ninguém se moveu. Suas duas mãos seguram meu rosto, um toque — átomos nunca se tocam, existe um espaço que parece infinito entre eles — suas mãos nunca me tocam.
"Eu sei como vírus mentais funcionam, você... Provavelmente colocou um nos seus arquivos da OMMET." Por que minha voz soa assim?
A criatura não reage por alguns instantes, olhos de vidro miram em minha direção, mas é como se não me fitassem diretamente.
"Nós apagamos os arquivos, da última vez. Mostre-se, arma."
D-032 se desencaixa do compartimento secreto em meu cinto e rola até a criatura. Suas duas mãos pegam a arma enquanto seguram meu rosto. Uma mão deixa minha bochecha e arruma meu cabelo, enquanto toca a base da arma e a desconstrói completamente, todas as peças organizadas por tamanho independente de função.
"O que mais tentarão?" sua expressão era confusa, sua voz embargada. "Sinto muito, te mandaram para a morte. Você será o último." a arma se reconstrói e cai em minha frente. Suprimo o impulso de estender a mão até ela, suprimo qualquer movimento do meu corpo. O silêncio dura mais alguns minutos antes de ser quebrado por "Sinto muito mesmo"
Estática preenche os cantos da minha visão, tinnitus no ouvido direito, "espera", tento gritar.